Dados apresentados pelo secretário de Segurança Pública revelam que a maioria dos casos só chega ao conhecimento das autoridades após a tragédia

Durante entrevista ao programa Vozes da Comunidade, o secretário de Segurança Pública do DF, Alexandre Patury, alertou para um dos principais desafios no combate ao feminicídio: a subnotificação dos casos de violência doméstica. Segundo ele, mais de 70% das vítimas não procuram ajuda do Estado antes de serem mortas, o que dificulta a atuação preventiva das autoridades.
O secretário destacou que, apesar da redução nos índices de homicídios na capital, os casos de feminicídio permanecem estáveis e, em alguns momentos, até aumentam. Em fevereiro, o DF registrou cinco homicídios — o menor número da série histórica — e, em março, foram três ocorrências para uma população de cerca de 3 milhões de habitantes. Ainda assim, ele ressaltou que cada morte é uma tragédia e que o feminicídio exige uma resposta específica.
Para Patury, o problema está diretamente ligado ao ambiente doméstico e ao machismo estrutural. Ele afirmou que muitos casos de agressão acontecem de forma silenciosa, sem denúncia, e acabam evoluindo para situações mais graves. O secretário também chamou atenção para a omissão de pessoas próximas, como vizinhos e familiares, que muitas vezes têm conhecimento da violência, mas não acionam a polícia.
“O que precisamos combater é a violência anterior”, destacou o secretário, ao afirmar que o aumento de penas não resolve o problema por si só. Segundo ele, agressores que chegam ao ponto de cometer feminicídio já ultrapassaram todos os limites, o que reforça a necessidade de agir nos primeiros sinais de violência.
Entre as ações do governo, Patury citou o funcionamento do Copom Mulher, que dá prioridade absoluta a ocorrências de violência doméstica. Nesses casos, viaturas são enviadas imediatamente, e, mesmo quando a vítima não formaliza denúncia, as equipes buscam reunir provas para responsabilizar o agressor.
O secretário também mencionou programas como o Viva Flor, além do trabalho das delegacias especializadas, do PROVID, da Sala Lilás e de mecanismos de proteção como botão do pânico e tornozeleiras eletrônicas. De acordo com ele, mulheres que possuem medidas protetivas têm chances significativamente menores de serem vítimas de feminicídio.
Apesar disso, ele reconheceu que a informação sobre esses serviços ainda não alcança toda a população. Muitas mulheres desconhecem os canais de denúncia e as formas de proteção disponíveis, o que limita o alcance das políticas públicas.
Ao final, o secretário reforçou a importância do envolvimento coletivo. Ele destacou que canais como o 190, 197 e o 180 estão disponíveis e devem ser utilizados. Para ele, somente com educação, informação e participação da sociedade será possível reduzir os casos de feminicídio no DF e salvar vidas.
