Tecnologia usa água do Lago Paranoá e acelera manutenção sem necessidade de interdição durante o dia
![]() |
| Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília |
Quem passa pela Ponte JK tem acompanhado de perto as obras de manutenção de um dos principais cartões-postais de Brasília. Iniciada em dezembro de 2025, a reforma avança para uma nova etapa com foco na limpeza dos arcos, agora realizada com o uso de drones e tecnologia de hidrojateamento.
O método, considerado inédito na capital, utiliza água do próprio Lago Paranoá para remover sujeiras da estrutura. Segundo o arquiteto Juan Carlos Del Carpio Natcheff, assessor da Diretoria de Projetos da Novacap, é a primeira vez que esse tipo de operação é aplicado na ponte e, possivelmente, em Brasília.
A limpeza com drones começou na terça-feira (17) e é feita a partir de uma balsa posicionada no lago, o que dispensa a interdição de faixas durante o dia. Já os serviços que exigem maior ocupação da via continuam sendo realizados no período noturno, entre 23h e 4h, de segunda a sexta-feira, com bloqueio de duas faixas no sentido Plano Piloto/Lago Sul.
A expectativa é que a limpeza dos arcos seja concluída no início da próxima semana, permitindo o avanço para a etapa de pintura. A parte inferior da ponte já foi limpa e recebeu nova pintura. “Queremos entregar logo para a comunidade. As pessoas têm mandado elogios; é uma ponte muito visada. A preocupação é fazer um bom trabalho, e o mais rápido possível”, afirma Natcheff.
O processo de hidrojateamento envolve o uso de dois drones e o controle de um operador. Um dos equipamentos é responsável pela limpeza, puxando a água do lago por meio de uma bomba, enquanto o outro auxilia no monitoramento, fornecendo dados como posição e distância. Todo o trabalho é acompanhado por sistemas de geoprocessamento e geomonitoramento.
De acordo com o arquiteto, o método é mais eficiente e ágil que as técnicas tradicionais, além de evitar o uso de produtos químicos. “Com o hidrojateamento, não é necessário remover totalmente a tinta antiga, o que impediria o uso de substâncias que poderiam contaminar o lago”, explica.
Outro destaque da reforma é o uso de tintas específicas para cada tipo de estrutura. Nos arcos e partes metálicas, está sendo aplicada tinta com acabamento em poliuretano (PU), de base acrílica e com propriedade autolimpante. O material conta ainda com aditivos não poluentes que aumentam a durabilidade.
As obras na Ponte JK começaram em 15 de dezembro de 2025 e incluem, além da limpeza dos arcos, a pintura de corrimãos da passarela superior e dos pilares curvos na parte inferior. A pintura dos arcos será realizada nas próximas semanas de forma manual, com uso de andaimes e plataformas elevatórias.
Já a lavagem e pintura dos pilares retos de concreto foram concluídas. As próximas etapas envolvem a finalização da limpeza geral e a continuidade da pintura das estruturas.
Durante o período de obras, permanece a interdição de duas faixas no sentido Plano Piloto/Lago Sul, sempre no período noturno, em operação coordenada pelo Detran-DF.



