Pré-candidato ao Palácio do Buriti, José Roberto Arruda (PSD) tem usado imagens de Joaquim Roriz nas redes sociais para tentar se aproximar dos eleitores do ex-governador. A estratégia, porém, esbarra nas declarações do próprio Arruda, que atacou duramente Roriz quando ele ainda estava vivo.
A incoerência fica ainda mais evidente diante do contexto em que os ataques foram feitos. Em 28 de setembro de 2010, após passar dois meses preso no escândalo da Caixa de Pandora, Arruda concedeu entrevista ao Correio Braziliense e afirmou: “Eleger Roriz é mostrar que o crime compensa”.
A frase ganhou contornos irônicos com o passar do tempo. Arruda, que naquele momento fazia uma autocrítica pela “tristeza que se abateu sobre a cidade”, escolheu Roriz como alvo e declarou publicamente voto contra o antigo aliado.
“Eu sou, em grande parte, responsável por isso. Depois de toda a frustração, eu não tenho o direito de induzir ou pedir voto para ninguém, mas eu tenho a obrigação moral de dizer o meu: eu voto contra o Roriz”, declarou Arruda na ocasião.
À época, Weslian Roriz disputava o Governo do Distrito Federal e enfrentaria o petista Agnelo Queiroz no segundo turno. Roriz morreu em 27 de setembro de 2018, aos 82 anos. Sem o ex-governador para responder, Arruda passou a divulgar imagens ao lado dele e a se apresentar como participante das obras realizadas durante as gestões rorizistas.
A frase usada por Arruda para atacar Roriz acabou voltando como um bumerangue. Se em 2010 ele dizia que eleger o antigo aliado seria mostrar que “o crime compensa”, agora tenta convencer os rorizistas de que os ataques podem ser esquecidos e a memória de Roriz transformada em palanque eleitoral.
