Celina reverte déficit e prevê superávit de R$ 3 bilhões em 2026

Balanço apresentado por Celina Leão aponta recuperação da capacidade de pagamento e redução da relação entre despesas e receitas

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, anunciou nesta sexta-feira (7/8) que conseguiu reverter o déficit fiscal registrado nos primeiros meses de 2026. Com as medidas adotadas, a projeção agora é encerrar o ano com superávit de R$ 3 bilhões. Os números foram apresentados durante balanço das contas do primeiro semestre, no Palácio do Buriti.

A governadora Celina Leão afirmou que assumiu o Executivo local diante de um rombo próximo de R$ 5 bilhões e com pagamentos em atraso. Segundo ela, a situação exigiu mudanças imediatas na condução fiscal e orçamentária.

“Assumimos um governo com rombo de quase R$ 5 bilhões, gravíssimo, com atrasos em pagamento. Imediatamente, fizemos um choque de gestão que custou da nossa parte administrativa e política um esforço gigantesco para que as pessoas pudessem entender que havia uma nova gestão fiscal e orçamentária”, declarou.

De acordo com o secretário de Economia, Valdivino de Oliveira, o déficit registrado nas contas públicas chegava a R$ 1,9 bilhão em abril. Além disso, havia outros R$ 4 bilhões referentes a despesas contratadas sem previsão orçamentária.

O secretário citou como exemplo o transporte público. O serviço possui subsídio anual de R$ 2,2 bilhões, mas contava com orçamento de R$ 1,1 bilhão, deixando uma diferença do mesmo valor. Naquele momento, a estimativa era que o déficit do DF pudesse alcançar R$ 6 bilhões até dezembro.

Para conter o avanço das despesas, o GDF publicou um decreto que impede os órgãos distritais de empenharem pagamentos sem recursos disponíveis em caixa. Celina também determinou cortes de até 25% nos contratos e suspendeu reajustes.

Segundo Valdivino, as medidas permitiram recuperar a capacidade de pagamento do DF, conhecida como Capag, que passou da classificação C para A. A nota C havia impedido o GDF de obter o aval da União para contratar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões destinado ao Banco de Brasília (BRB).

O assunto voltará a ser discutido em audiência no Supremo Tribunal Federal (STF), marcada para 13 de agosto. Celina afirmou que o acordo homologado pelo ministro Luiz Fux, que previa aval de bancos e contragarantias do GDF para a obtenção de crédito no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), não foi cumprido.

A governadora também rebateu declarações de integrantes do governo federal e defendeu que as discussões sobre o BRB sejam conduzidas com base em critérios técnicos. Segundo ela, o DF possui documentos relacionados à previsão de uma Capag A provisória e apresentará as informações durante a audiência.

O balanço mostra ainda que a relação entre despesas e receitas correntes caiu para 93,95%. O índice estava acima de 95%, patamar que impedia o DF de realizar concursos públicos e assumir outras despesas. Nos últimos 12 meses, o Distrito Federal registrou receita de R$ 44,79 bilhões e despesas de R$ 42,08 bilhões, uma diferença positiva de R$ 2,71 bilhões.