O discurso de renovação de Leandro Grass perde força quando o candidato defende o governo Agnelo Queiroz, também do PT, sem dar o mesmo destaque aos problemas daquela gestão, que terminou com salários atrasados e deixou obras e compromissos que continuaram cobrando soluções nos anos seguintes.
O Centrad foi inaugurado por Agnelo em 31 de dezembro de 2014, no último dia de seu mandato. Naquele momento, o complexo ainda não tinha móveis, água e energia. O investimento divulgado na ocasião era de R$ 600 milhões e a estrutura ainda não tinha condições de receber os milhares de servidores previstos para trabalhar no local.
Pouco mais de um mês depois, em fevereiro de 2015, a Justiça anulou o habite-se do Centro Administrativo. A decisão apontou que a liberação havia ocorrido sem o cumprimento de exigências relacionadas ao Relatório de Impacto de Trânsito e ao Laudo de Conformidade.
Outro caso que marcou aquele período foi o Mané Garrincha. A reconstrução começou antes da posse de Agnelo, com contrato inicial de aproximadamente R$ 696,6 milhões. Foi durante o governo petista, no entanto, que o contrato principal passou por uma sequência de aditivos e ultrapassou R$ 1 bilhão.
Em janeiro de 2013, o Tribunal de Contas do Distrito Federal registrava 19 aditivos que haviam acrescentado cerca de R$ 337 milhões ao contrato, aumento de 48,43% sobre o valor inicial. Somando contratos separados para cobertura, assentos, painéis e gramado, os valores contratados naquele momento chegavam a aproximadamente R$ 1,2 bilhão. Apenas o contrato da cobertura era de cerca de R$ 174 milhões.
O fim de 2014 ainda foi marcado por atrasos nos pagamentos de profissionais da saúde e da educação. A falta de pagamento de horas extras prejudicou escalas médicas, e pacientes encontraram dificuldades de atendimento no Hran. A crise atingiu trabalhadores e quem precisava dos serviços públicos.
Ao defender esse legado, Grass precisa explicar quais decisões considera erradas e como evitaria sua repetição. A promessa de renovação fica incompleta quando os elogios ao passado não vêm acompanhados de respostas sobre obras problemáticas, gastos elevados e serviços que falharam com a população.
