Jovens de 25 anos transferem força das redes às urnas e garantem vaga na CLDF

Estefane Sampaio e Victor Jansen chegam à Câmara Legislativa sem mandato anterior e com votações superiores às de parlamentares que estavam há anos na política local

As eleições de 2026 mostraram uma nova porta de entrada para a política do Distrito Federal. Aos 25 anos, Estefane Sampaio (Republicanos) e Victor Jansen (PL) transformaram a projeção conquistada nas redes sociais em votos e garantiram, pela primeira vez, cadeiras na Câmara Legislativa.

Estefane foi uma das principais surpresas da disputa. Em sua primeira eleição, recebeu 45.558 votos e terminou como a quinta candidata mais votada para a CLDF. Influenciadora política e bacharel em Direito, ela chegou à campanha com cerca de 512 mil seguidores apenas no Instagram e com apoio público de nomes como Nikolas Ferreira e Damares Alves.

Victor Jansen também construiu sua projeção principalmente no ambiente digital. Conhecido por conteúdos direcionados ao público de direita e por vídeos gravados em locais como a Universidade de Brasília, ele conquistou 32.120 votos e terminou na 11ª posição geral. Antes da eleição, já acumulava centenas de milhares de seguidores nas redes sociais.

Os números chamam ainda mais atenção quando comparados aos de políticos experientes. Iolando (MDB), Jorge Vianna e Doutora Jane (Republicanos), que já exerciam mandato na Câmara Legislativa, não conseguiram a reeleição. Eles receberam 19.780, 18.906 e 12.762 votos, respectivamente. Estefane teve mais que o dobro da votação de cada um deles, enquanto Victor também superou os três individualmente.

O resultado ocorreu em uma eleição marcada justamente pela baixa renovação. Dos 24 integrantes da próxima legislatura, 17 foram reeleitos. Em meio à permanência da maior parte dos atuais deputados, Estefane e Victor aparecem entre os poucos nomes que conseguiram chegar à Casa pela primeira vez.

A eleição de Estefane e Victor mostra como a disputa por uma vaga na CLDF começa a ultrapassar as estruturas tradicionais da política local. Com linguagem voltada às redes, público próprio e identidade política já conhecida antes da campanha, os dois conseguiram converter alcance digital em dezenas de milhares de votos e chegar ao Legislativo.