PrEP sai do serviço único e passa a ser oferecida na atenção primária do DF

Descentralização ampliou pontos de atendimento, elevou cobertura e facilitou o acesso à prevenção ao HIV; oferta também chegou ao sistema prisional em 2025

Ao transferir parte da prescrição e distribuição da PrEP para a rede básica, o Distrito Federal aproximou a prevenção ao HIV das rotinas de saúde da população. A mudança no modelo de atendimento permitiu que serviços da Atenção Primária à Saúde passem a acompanhar e prescrever a profilaxia, reduzindo a necessidade de concentração em centros especializados.

Segundo dados da rede de saúde do DF, a medicação está hoje disponível em 26 pontos de atendimento espalhados pela região. Desde o início da distribuição até fevereiro, 7.646 pessoas iniciaram a PrEP. Nos últimos 12 meses, 5.654 retiraram a medicação; outros 1.522 registros constam como descontinuações.

A alteração do modelo incluiu a participação de profissionais da APS na condução do esquema preventivo e, em 2025, a oferta foi estendida ao sistema prisional do Distrito Federal. Entre as unidades e serviços que integram a estratégia estão a Secretaria de Saúde do DF, o Centro Especializado em Doenças Infecciosas (Cedin) e o Hospital Universitário de Brasília (HUB), que atuam de forma articulada para ampliar a capilaridade do atendimento.

O avanço na cobertura também é refletido em indicadores técnicos: a razão entre pessoas em PrEP e novos casos de HIV passou de 3,39 para 10,26, acima do patamar mínimo de 3,0 definido pelo Ministério da Saúde para implementação da estratégia.

O perfil de quem acessou a PrEP no DF é variado, incluindo homens gays e que fazem sexo com homens, homens heterossexuais, mulheres cis, mulheres trans, homens trans, pessoas não binárias e travestis. As faixas etárias com maior procura são 30 a 39 anos, seguidas por 40 a 49 anos, 25 a 29 anos e 50 anos ou mais.

Além do alcance, a ampliação da oferta tem objetivo claro de saúde pública: o uso correto da medicação reduz em mais de 90% o risco de transmissão do HIV. A mudança de modelo busca, portanto, não só facilitar o ingresso de novos usuários na rede pública como também contribuir para a redução de novas infecções no território.