Sandro Avelar defende penas mais duras para crimes que antecedem o feminicídio

Ex-secretário de Segurança Pública afirma que punições mais severas para injúria, vias de fato e lesão corporal podem interromper a escalada da violência contra a mulher

O ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal Sandro Avelar defendeu o endurecimento das penas para crimes que costumam anteceder o feminicídio. A declaração foi feita nesta sexta-feira (28), durante entrevista ao programa Vozes da Comunidade.

Ao comentar o combate à violência contra a mulher, Avelar afirmou que nenhum autor de feminicídio registrado no Distrito Federal ficou impune. Segundo ele, todos os responsáveis estão presos ou morreram.

“Não tem nenhum caso do DF em que aquele que cometeu um feminicídio tenha saído impune. Ou ele está preso ou ele está morto”, declarou.

Apesar do resultado das investigações, o ex-secretário ressaltou que solucionar os crimes não representa motivo de satisfação, uma vez que as vítimas já perderam a vida. Para ele, o principal desafio está em identificar e interromper a violência antes que ela chegue ao feminicídio.

Avelar também chamou a atenção para casos em que amigos, vizinhos ou funcionários de condomínios tinham conhecimento das agressões, mas não procuraram as autoridades. Segundo o delegado, a sociedade precisa abandonar a ideia de que não deve interferir em conflitos envolvendo casais e denunciar situações de violência.

Como medida preventiva, o ex-secretário defendeu o agravamento das penas para injúria, vias de fato e lesão corporal praticadas contra mulheres por razões de gênero ou dentro de relacionamentos. Na avaliação dele, esses episódios geralmente fazem parte de uma escalada que pode terminar em feminicídio.

Avelar lembrou que a pena para o feminicídio pode chegar a 40 anos de prisão, mas argumentou que a punição aplicada após a morte da vítima não é suficiente para evitar novos casos. Para ele, uma resposta mais rigorosa aos primeiros sinais de violência pode interromper esse processo antes que as agressões avancem.