Veneno de vespa do Cerrado inspira pesquisa da UnB sobre doenças neurológicas

Estudo investiga peptídeos com potencial para proteger células do sistema nervoso e contribuir para o desenvolvimento de medicamentos

O veneno de vespa do Cerrado inspira uma pesquisa da Universidade de Brasília (UnB) voltada ao desenvolvimento de moléculas capazes de proteger células do sistema nervoso. O estudo investiga possíveis aplicações futuras em medicamentos para doenças como epilepsia, Alzheimer e Parkinson.

O trabalho é coordenado pela professora Márcia Renata Mortari, do Instituto de Ciências Biológicas da UnB, e recebe apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF). A investigação é conduzida no Laboratório de Neurofarmacologia da universidade.

Os pesquisadores estudam pequenas moléculas chamadas peptídeos, inspiradas na peçonha de vespas sociais encontradas no Cerrado. A proposta reúne biodiversidade, neurociência e biotecnologia na busca por novas alternativas terapêuticas, mas ainda se encontra no campo da pesquisa científica.

O projeto também levou à criação da Biointech, startup fundada por Márcia Mortari e João Davison Silva Ramalho. A empresa busca transformar os resultados obtidos no laboratório em soluções com possibilidade de chegar ao mercado.

A pesquisa foi apresentada no episódio “A ciência em todo lugar”, do programa Conexão Futura, exibido em 30 de outubro pelo Canal Futura e pela Globoplay. A edição celebrou os 20 anos do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap).

Além do estudo desenvolvido no Distrito Federal, o programa reúne projetos de Pernambuco, Maranhão e Bahia. Entre eles estão uma tecnologia biodegradável para reduzir a propagação de incêndios, o uso da resina de breu-branco na produção de biocombustíveis e um jogo educativo sobre a Independência do Brasil na Bahia.

As iniciativas recebem apoio de fundações estaduais de amparo à pesquisa de diferentes regiões. O episódio pretende mostrar como trabalhos científicos locais podem contribuir para desafios ambientais, econômicos, educacionais e de saúde.