Vero tropeça na própria narrativa e vê credibilidade entrar em xeque

Após recuo de Leila Barros e arquivamento no MPDFT, ofensiva baseada em publicações do portal perde força e amplia questionamentos sobre sua atuação

O Vero Notícias viu sua própria narrativa perder força após o arquivamento, no Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), de um procedimento que mirava portais associados à Associação Brasileira de Portais de Notícias (ABBP). O caso teve origem em publicações do próprio Vero, encaminhadas ao gabinete da senadora Leila Barros.

A parlamentar, que inicialmente levou o assunto aos órgãos de controle, recuou depois de dialogar com dirigentes da ABBP. Em nota, o gabinete informou que concluiu não haver elementos para justificar a continuidade do pedido de averiguação.

A nota não surgiu como um gesto espontâneo de reconhecimento à imprensa independente, mas como uma tentativa de corrigir o erro após a fragilidade da acusação ficar evidente. Na prática, a senadora admitiu que o material usado para movimentar o procedimento não sustentava a continuidade da apuração.

O MPDFT considerou a manifestação e determinou o arquivamento da notícia de fato. O desfecho enfraqueceu a versão sustentada pelo Vero, que tratava suspeitas contra portais independentes como se já houvesse irregularidades comprovadas.

O despacho citado no procedimento tinha caráter preliminar e apenas solicitava informações à Secretaria de Comunicação do DF sobre a seleção dos portais mencionados. Ou seja, não havia conclusão sobre fraude ou irregularidade.

Enquanto tentava colocar outros veículos sob suspeita, o próprio Vero passou a ser questionado. O portal, que tem Lucas Valença como editor-chefe, existe há menos de quatro anos, possui capital social de R$ 1 mil e mantém uma estrutura com profissionais, escritório na região central de Brasília e sem espaço publicitário visível no site.

As dúvidas aumentaram após notas fiscais divulgadas pelo jornalista Mino Pedrosa, no Fatos Online, apontarem que o Vero Notícias teria recebido R$ 1 milhão do Banco Master. Segundo a publicação, outros repasses envolvendo o portal e estruturas relacionadas ao grupo poderiam chegar a R$ 23 milhões e ainda estariam sendo apurados.

No fim, a tentativa de atingir a credibilidade de portais independentes acabou produzindo efeito contrário. Com o recuo de Leila Barros e o arquivamento no MPDFT, o Vero tropeçou na própria narrativa e viu sua credibilidade entrar em xeque.