Celina desmonta discurso de Lula e expõe uso eleitoral do BRB

Governadora contesta fala feita pelo presidente em comício em Ceilândia e afirma que o DF busca solução financeira para o banco, não uma doação de recursos federais

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), reagiu às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a crise do Banco de Brasília (BRB) e acusou o chefe do Executivo federal de transformar a situação da instituição em instrumento da disputa eleitoral. A resposta ocorreu após Lula afirmar, durante comício realizado nesta quarta-feira (16/9), em Ceilândia, que o governo federal não daria dinheiro ao banco.

No evento de campanha, realizado ao lado do candidato petista ao Governo do Distrito Federal, Leandro Grass, Lula também atacou Celina e afirmou que a governadora tentaria transferir ao governo federal a responsabilidade pela crise do BRB.

Celina respondeu dizendo que a discussão apresentada por Lula não corresponde, segundo ela, ao que o Distrito Federal está buscando. A governadora afirmou que “ninguém está pedindo dinheiro ao governo federal” e sustentou que a negociação envolve uma operação de crédito que terá de ser paga pelo próprio DF. “Aval não é doação, nós temos que pagar”, declarou.

Em maio, o Supremo Tribunal Federal homologou um acordo para viabilizar uma operação de crédito do Distrito Federal junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), destinada exclusivamente ao aporte de capital no BRB. Naquele arranjo, a garantia seria oferecida por um sindicato de bancos, com contragarantias vinculadas a receitas do DF, sem aval da União.

Celina também criticou o fato de Lula tratar do BRB durante um ato eleitoral. Para a governadora, o presidente deveria separar a campanha política da busca por uma solução para uma instituição financeira controlada pelo Distrito Federal. “O presidente pode me atacar, apoiar meu adversário e fazer campanha contra mim. O que você não pode fazer é transformar o BRB em uma arma eleitoral”, afirmou.

Na resposta, Celina destacou ainda que o BRB não pertence a um governo ou partido e lembrou que funcionários, clientes, empresas e famílias mantêm relação direta com a instituição. Ela também cobrou de Lula uma postura institucional diante da crise e afirmou que esperava que ele atuasse como presidente da República, e não como “cabo eleitoral”.