Com apenas 23 dias de estágio, Cappelli já quer ocupar a cadeira principal

Sem mandato no DF, Cappelli usa 23 dias na segurança como trampolim para o Buriti

Ricardo Cappelli recebeu por decreto o comando temporário da segurança pública do Distrito Federal em 8 de janeiro de 2023 e deixou a função no fim daquele mesmo mês.

Cappelli não governou o Distrito Federal. Não administrou hospitais, escolas, transporte público, obras, habitação ou as regiões administrativas. O decreto limitou sua atuação à segurança pública durante uma situação excepcional. Foi um breve estágio em um único setor, não o comando da empresa inteira.

Mesmo assim, aquela passagem relâmpago tornou-se a principal vitrine usada por Cappelli para tentar chegar ao Palácio do Buriti. O ex-interventor agora apresenta 23 dias de uma função temporária como demonstração de que estaria preparado para administrar toda a estrutura do GDF durante quatro anos.

Cappelli nunca exerceu mandato eletivo no Distrito Federal. Na realidade, nunca venceu uma eleição. Em 2002, tentou uma vaga de deputado estadual no Rio de Janeiro e foi derrotado. Em 2008, disputou o cargo de vereador na capital fluminense e voltou a perder. Agora, sem jamais ter sido escolhido diretamente pelo eleitor, tenta conquistar seu primeiro mandato começando justamente pelo cargo de governador.

Sua trajetória foi construída em funções recebidas por indicação política. Cappelli passou por diferentes governos e estruturas administrativas sem precisar conquistar nas urnas o poder que exercia. O padrão voltou a se repetir na intervenção: uma canetada o colocou no comando temporário da segurança e abriu a vitrine que, três anos depois, sustenta sua tentativa de chegar ao posto mais alto do DF.

O PSB oficializou sua pré-candidatura ao GDF, transformando o antigo interventor em uma aposta eleitoral para 2026. Cappelli tenta trocar 23 dias de poder emprestado por quatro anos na cadeira principal, sem mandato anterior, sem vitória eleitoral e sem experiência à frente do Governo do Distrito Federal.

Entre um estágio emergencial e a direção de toda a empresa existe uma distância evidente. Cappelli, porém, mal deixou a função temporária e já se apresenta como preparado para assumir o comando definitivo. Depois de anos chegando aos cargos pelas mãos de aliados, ele agora terá de enfrentar algo que nenhuma nomeação pode garantir: a escolha direta do eleitor.