Incêndios florestais no DF entram em alerta após mais de 50 dias sem chuva

Baixa umidade eleva o risco de propagação do fogo; operação contabiliza 3.738 ocorrências em vegetação até 16 de agosto

O risco de incêndios florestais no DF aumentou após mais de 50 dias consecutivos sem chuva. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, a última precipitação na capital ocorreu em 25 de junho, enquanto uma massa de ar seco continua dificultando a formação de nuvens no Centro-Oeste.

A baixa umidade, o calor das tardes e os ventos fracos ou moderados retiram umidade do solo e da vegetação do Cerrado. Esse cenário facilita o início do fogo e acelera a propagação das chamas.

A previsão indica a permanência do tempo seco nos próximos dias, com possibilidade de níveis críticos de umidade durante a tarde. No Plano Piloto, as temperaturas mínimas devem variar entre 14°C e 16°C, enquanto as máximas ficam entre 30°C e 31°C. Em outras regiões, as tardes podem ser ainda mais quentes, especialmente no Gama.

Para reduzir o material combustível nas áreas protegidas, as equipes executaram cerca de 300 hectares de queima prescrita e abriram 50 quilômetros de aceiros em 2026. O planejamento conta com 150 brigadistas contratados por dois anos para manter as ações preventivas ao longo de todo o ano.

O acompanhamento das unidades de conservação utiliza o Programa de Monitoramento de Áreas Queimadas, responsável por produzir mapas e relatórios. Entre 2020 e 2024, os registros de maior recorrência incluíram os parques distritais Boca da Mata e Recanto das Emas, a Arie Granja do Ipê, a Floresta Distrital dos Pinheiros e os parques ecológicos Ezechias Heringer, Tororó e Riacho Fundo.

Também aparecem entre as áreas atingidas com frequência o Parque Nacional de Brasília, a Floresta Nacional de Brasília e a Reserva Biológica da Contagem, que são unidades federais.

A Operação Verde Vivo 2026 começou em abril e deve seguir até novembro. Na fase mais crítica da estiagem, o planejamento prevê até 169 combatentes e 35 viaturas por dia, além de aeronaves, drones e equipamentos especializados. Incêndios de grande proporção podem mobilizar reforço de até mil profissionais.

Até 16 de agosto, o Distrito Federal contabilizou 3.738 ocorrências de incêndio em vegetação. Desse total, 3.270 chamados ocorreram durante a Operação Verde Vivo, com 1.096 casos em julho e 1.012 em agosto até o dia 16. No mesmo período de 2025, o DF havia registrado 4.346 ocorrências.

Além de destruir a vegetação e reduzir a fauna nativa, o fogo degrada o solo, favorece a erosão e o assoreamento de cursos d’água. A fumaça também prejudica a qualidade do ar e pode provocar desconforto respiratório.

O uso do fogo para atividades agropastoris sem autorização pode gerar multa de R$ 1.000 por hectare ou fração. Quando as chamas atingem unidades de conservação ou áreas de preservação permanente, as penalidades podem superar R$ 50 mil, além do embargo e da obrigação de recuperar o local.

A orientação é não queimar lixo, folhas, restos de poda ou vegetação para limpar terrenos. Ao identificar um foco ativo, a pessoa deve manter distância e acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193, informando o endereço ou um ponto de referência. Denúncias de queimadas irregulares podem ser registradas pelo número 162.

Durante a seca, também é recomendável beber água regularmente, umidificar ambientes e evitar exposição direta ao sol entre 10h e 16h.