O banco que Celina herdou no sufoco volta a respirar

Primeira parcela de R$ 1 bilhão entrou no caixa do BRB nesta quinta, enquanto governo trabalha para concluir novas etapas da recuperação financeira do banco

Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

Depois de meses de pressão, desgaste político e uma crise que colocou o BRB no centro das discussões econômicas do DF, o banco começa a dar sinais de reação sob a gestão da governadora Celina Leão. A entrada da primeira parcela de R$ 1 bilhão referente à venda de ativos ligados ao Banco Master passou a ser tratada nos bastidores como um marco importante para aliviar a situação financeira da instituição.

A própria Celina confirmou, em entrevista ao portal Metrópoles, que o depósito foi realizado nesta quinta-feira (21). Segundo a governadora, o recurso ajuda a resolver o problema de liquidez enfrentado pelo banco. A expectativa do governo é receber entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões até o fim de maio.

Nos bastidores do Palácio do Buriti, a movimentação já é vista como uma das primeiras grandes respostas políticas da atual gestão diante da crise herdada no BRB. O banco atravessou meses de forte desgaste após as operações envolvendo o Banco Master, além da pressão provocada pelas provisões bilionárias exigidas pelo Banco Central.

Quando assumiu o comando do GDF, Celina recebeu um cenário de forte turbulência financeira e política. O BRB passou a enfrentar questionamentos sobre liquidez, necessidade de capitalização e risco de encolhimento da operação. Em entrevista recente, o presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, chegou a afirmar que o BRB deve ficar “no mínimo um terço menor” após a crise.

Mesmo sem ter sido a responsável pelas decisões que levaram o banco à crise, Celina passou a associar sua gestão ao processo de recuperação da instituição. Nos bastidores, aliados afirmam que a governadora herdou uma “bomba financeira” e agora tenta reconstruir a imagem do banco em meio à pressão política e ao desgaste causado pelo caso Master.

A avaliação dentro do governo é que o novo aporte ajuda a devolver confiança ao mercado e cria um ambiente menos negativo para o BRB nos próximos meses. O banco ainda busca novas soluções para reforçar sua capitalização, incluindo operações financeiras com apoio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e negociações envolvendo um consórcio de bancos.

Em meio às recentes tensões políticas dentro da base governista, o novo momento do BRB também passou a ganhar peso simbólico para Celina. O banco que chegou a ser tratado como um dos maiores problemas herdados pelo atual governo agora começa, aos poucos, a voltar a respirar.