A revelação de um acordo de apoio mútuo entre Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL) para um eventual segundo turno provocou desgaste na campanha do senador e abriu uma crise dentro do PL de Goiás. O entendimento, mantido até então longe do conhecimento público, veio à tona por meio do próprio candidato tucano.
A declaração atingiu diretamente o discurso de Wilder, que tenta se apresentar como uma alternativa independente aos principais adversários na disputa pelo Palácio das Esmeraldas. A possibilidade de uma aliança com Marconi provocou reação negativa em parte do eleitorado de direita e gerou preocupação no núcleo bolsonarista da campanha do PL.
Diante da repercussão, Wilder foi a público neste sábado (22/8) para negar qualquer acordo. “Não há nenhuma tratativa com outras candidaturas para composição em um eventual segundo turno”, informou a equipe do candidato. Nas redes sociais, o senador também publicou a mensagem “Nenhum dos dois”, em referência a Marconi e ao governador Daniel Vilela (MDB).
A tentativa de afastamento, porém, colocou Wilder em confronto direto com a versão apresentada por Marconi quatro dias antes, durante entrevista à Rádio Terra. O tucano afirmou que os dois haviam demonstrado disposição para apoiar um ao outro caso apenas um deles avançasse ao segundo turno.
“Eu já disse publicamente nas minhas reuniões que, se eu não for para o segundo turno, eu apoio a candidatura dele (Wilder). E ele já disse para muitos amigos que fará o mesmo”, declarou Marconi.
A contradição expôs uma disputa pública entre os dois candidatos. De um lado, Marconi sustenta que o apoio recíproco já havia sido conversado. Do outro, Wilder tenta se desvincular do tucano depois da reação negativa provocada pela revelação. O episódio produziu um racha no PL e abalou a imagem de independência construída pela campanha do senador.
O desgaste entre Marconi e Wilder favorece Daniel Vilela, que já lidera a disputa pelo Governo de Goiás. Pesquisa do Instituto Paraná divulgada em 18 de agosto mostrou o governador com 45,8% das intenções de voto, contra 24,9% de Marconi e 13,2% de Wilder. A divisão entre os adversários amplia a vantagem política do candidato do MDB durante a campanha.
A relação entre Marconi e Wilder não começou nesta eleição. Em janeiro de 2011, no início do terceiro mandato do tucano como governador, Wilder foi nomeado secretário de Infraestrutura de Goiás. Agora, antigos aliados entram em rota de colisão depois que Marconi tornou público um entendimento que Wilder passou a negar.
