José Roberto Arruda foi questionado duas vezes sobre como pretende devolver R$ 645 milhões aos cofres do Distrito Federal, mas não apresentou uma resposta objetiva durante o debate promovido pelo Metrópoles nesta quinta-feira (10). Em vez de explicar de onde sairiam os recursos, o candidato contestou as decisões judiciais, criticou o atual governo e lançou acusações contra adversários.
A pergunta foi feita pelo jornalista Igor Gadelha, que confrontou a versão apresentada por Arruda nas redes sociais. Segundo o jornalista, o candidato afirma estar impedido de concorrer por ter recebido R$ 20 mil dois anos antes de assumir o governo. No entanto, Gadelha declarou que o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) negou o registro da candidatura com base em sete condenações por improbidade administrativa.
De acordo com o questionamento apresentado no debate, as condenações obrigariam Arruda a devolver, ao todo, R$ 645 milhões aos cofres do GDF. O jornalista perguntou diretamente como o candidato pretendia pagar esse valor.
Arruda iniciou a resposta com uma brincadeira sobre a calvície de ambos e, na sequência, voltou a sustentar que o caso teria começado com o recebimento de R$ 20 mil antes de sua passagem pelo governo. O candidato também afirmou que as provas usadas contra ele teriam sido anuladas pelo próprio TRE.
“Veja que incrível: o TRE, que disse que as provas contra mim eram nulas, me torna impedido de concorrer com base em condenações baseadas nas provas que ele anulou. Haja contorcionismo, hein?”, declarou.
Na réplica, Igor Gadelha ressaltou que a pergunta permanecia sem resposta. O jornalista afirmou que o registro da candidatura havia sido negado pelos integrantes do TRE-DF com fundamento nas sete condenações, muitas delas confirmadas em segunda instância, e voltou a perguntar como o dinheiro seria devolvido.
Arruda respondeu que bastaria o julgamento de um recurso que, segundo ele, está parado há 12 anos. “Se o próprio TRE julgou a prova nula, você tem dúvida de que eu vou ganhar?”, questionou. Novamente, porém, não explicou como pagaria o valor caso as condenações sejam mantidas.
O candidato voltou a mudar o foco e passou a fazer acusações contra Celina Leão e o candidato a vice na chapa adversária. As declarações não foram acompanhadas de documentos durante o trecho do debate apresentado.
Ao encerrar sua participação, Arruda pediu votos e afirmou que seu nome apareceria nas urnas. A discussão, entretanto, terminou sem uma resposta concreta para a pergunta central: como o candidato pretende devolver os R$ 645 milhões mencionados pelo jornalista caso a obrigação seja confirmada pela Justiça.
