O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou nesta terça-feira (14) o aumento da quantidade de etanol anidro na gasolina comum. A mistura passará dos atuais 30% para 32% por 180 dias, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período. É a segunda mudança em menos de um ano, já que o percentual havia subido de 27% para 30% em agosto de 2025.
Na prática, de cada 100 litros vendidos como gasolina, apenas 68 litros serão efetivamente de gasolina pura. O problema para o motorista é que o etanol possui menos energia por litro. Por isso, o aumento da mistura tende a reduzir, ainda que de forma pequena, o número de quilômetros percorridos com cada tanque. A própria Agência Nacional do Petróleo (ANP) reconhece a diferença de conteúdo energético entre os combustíveis.
O governo argumenta que o etanol é mais barato e que a mudança poderá reduzir o custo da gasolina. No entanto, não existe garantia de que essa diferença chegará ao consumidor. Segundo a ANP, o preço nas bombas também depende das refinarias, dos impostos, dos custos operacionais e das margens de distribuidoras e postos. Assim, o litro pode permanecer no mesmo valor ou até aumentar enquanto o veículo passa a consumir um pouco mais para rodar a mesma distância.
Outro ponto de preocupação está nos testes de segurança. O governo afirma que avaliações realizadas em 2025 incluíram a mistura E32 e não encontraram impactos relevantes. Entidades da indústria automotiva, porém, sustentam que a adoção definitiva de 32% exigiria testes com até 34% de etanol como margem de segurança. Esses ensaios adicionais não foram realizados, o que levou fabricantes a alertarem para possíveis riscos em motores, sistemas de calibragem, motocicletas e veículos mais antigos.
A medida ajudará o governo a reduzir importações e criará uma demanda bilionária adicional para os produtores de etanol. Para quem abastece, entretanto, o benefício continua sendo apenas uma promessa. Se o preço não cair de maneira proporcional, o resultado será simples: o brasileiro pagará praticamente o mesmo por uma gasolina mais diluída e com menor autonomia.



