PCDF mira esquema de receptação e regularização fraudulenta de cobre

Operação Ecossistemas do Cobre cumpre 26 mandados no DF, Minas Gerais, Tocantins e Paraná

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou a Operação Ecossistemas do Cobre nesta quinta-feira (25) para investigar receptação, comercialização e regularização fraudulenta de fios de cobre.

A ação é conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Ordem Tributária e mira dois núcleos que, segundo a PCDF, atuavam em etapas diferentes da mesma cadeia econômica do cobre.

O primeiro núcleo é investigado por receptação e comércio de cobre proveniente de furtos de cabos no DF. Pessoas físicas e jurídicas ligadas a sucatas e reciclagem de metais teriam recebido mais de R$ 45,5 milhões em menos de um ano de uma empresa de fachada sediada em Tocantins.

O segundo núcleo, conforme a investigação, operava por meio de 21 empresas noteiras no Distrito Federal. Nove delas foram autuadas pela Receita do DF, segundo a corporação.

A PCDF afirma que essas empresas emitiram mais de R$ 1,4 bilhão em notas fiscais para a empresa de fachada tocantinense. Os documentos teriam sido usados para dar aparência lícita à circulação do cobre e gerar créditos tributários fraudulentos.

Na etapa seguinte, a empresa de Tocantins emitia novas notas fiscais para compradores, principalmente em Minas Gerais e São Paulo. Em 2021, a investigação identificou 212 notas destinadas a uma empresa mineira, no valor aproximado de R$ 97,1 milhões.

A apuração também cita a chamada limpeza do cobre, processo de retirada da cobertura plástica ou de borracha dos fios, muitas vezes por queima. Segundo a PCDF, o método aumenta o valor de revenda e dificulta a identificação da origem dos cabos.

Em agosto de 2024, o cobre considerado mais puro era comprado por cerca de R$ 43 o quilo, enquanto o material reconhecido como proveniente de furtos era negociado entre R$ 28 e R$ 30 o quilo, conforme os dados da investigação.

A operação cumpre 26 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em Minas Gerais, Tocantins e Paraná. O caso segue sob investigação, e eventuais responsabilidades dependem da conclusão das apurações.