Brasil cai sem convencer e expõe crise que vai além da derrota para a Noruega

Seleção perdeu por 2 a 1 nas oitavas, manteve tabu contra os noruegueses e deixou a Copa com futebol abaixo do peso da camisa

A eliminação do Brasil para a Noruega não pode ser tratada apenas como uma zebra de Copa do Mundo. A derrota por 2 a 1, neste domingo (5), pelas oitavas de final, expôs uma Seleção sem força para controlar o jogo, sem repertório para reagir no momento decisivo e dependente de lampejos individuais quando precisava mostrar organização.

O Brasil teve chances, mas não soube transformar oportunidade em vantagem. O pênalti perdido por Bruno Guimarães no primeiro tempo foi o retrato de uma equipe que teve o jogo nas mãos e não aproveitou. Em mata-mata, esse tipo de erro cobra caro, principalmente contra uma seleção organizada e com um atacante como Erling Haaland do outro lado.

A Noruega fez o que o Brasil não conseguiu: foi objetiva. Haaland marcou duas vezes no fim da partida e decidiu um confronto em que a Seleção Brasileira demorou para acelerar. Neymar ainda descontou de pênalti nos acréscimos, mas a reação veio tarde demais e serviu mais para diminuir o placar do que para mudar a história do jogo.

O resultado também aumentou um incômodo antigo. A Noruega segue sem perder para o Brasil e voltou a repetir o papel de adversária indigesta, como já havia feito na Copa de 1998. Para uma seleção pentacampeã mundial, cair diante de um rival com esse histórico reforça a sensação de que o problema não foi apenas a noite ruim, mas a dificuldade brasileira de se impor quando o peso da camisa já não resolve sozinho.

A saída nas oitavas é o pior resultado do Brasil em Copas desde 1990. Mais do que apontar culpados isolados, a queda deixa uma pergunta maior: como uma seleção cheia de nomes conhecidos chegou a um jogo decisivo sem futebol suficiente para passar segurança? Contra a Noruega, o Brasil não perdeu apenas a vaga. Perdeu também a chance de mostrar que ainda sabe competir como protagonista.