Justiça desmonta narrativa de Cappelli e manda retirar vídeo contra Celina

Liminar do TRE-DF aponta falta de provas e identifica indícios de propaganda eleitoral negativa em montagem produzida por inteligência artificial

A tentativa do pré-candidato ao Governo do Distrito Federal Ricardo Cappelli (PSB) de associar a governadora Celina Leão (PP) e o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) ao caso Banco Master sofreu um duro revés na Justiça Eleitoral. O juiz Carlos Alberto Martins Filho, do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), determinou a retirada de um vídeo divulgado por Cappelli.

Produzida com inteligência artificial, a montagem simula Celina e Ibaneis embarcando em um avião enquanto uma narração menciona pessoas investigadas pela Polícia Federal no caso Master/BRB. Para o magistrado, o conteúdo ultrapassou os limites da crítica política ao vincular agentes públicos à prática de crime sem apresentar provas.

Na decisão liminar, publicada na sexta-feira (17), Carlos Alberto Martins Filho avaliou que o vídeo transmite ao eleitor a ideia de que Celina e Ibaneis estariam fugindo da Polícia Federal. Segundo o juiz, a mensagem assume caráter de desqualificação pessoal, ataque à honra e possível propaganda eleitoral antecipada negativa.

O entendimento do TRE-DF enfraquece a ofensiva adotada por Cappelli nas redes sociais. Em vez de apresentar elementos concretos, o pré-candidato recorreu a uma montagem para insinuar envolvimento criminoso de adversários políticos, estratégia que acabou barrada pela Justiça por falta de sustentação probatória.

A decisão atende a um pedido da União Progressista, federação da qual Celina faz parte. Cappelli terá 24 horas, contadas a partir da notificação, para excluir o conteúdo. Em caso de descumprimento, poderá pagar multa diária de R$ 5 mil.

Cappelli afirmou ao Metrópoles que cumprirá a determinação, mas anunciou que pretende recorrer. Ele alegou que o vídeo não menciona os nomes de Celina e Ibaneis, apesar de a montagem reproduzir a imagem dos dois. A liminar mostra, porém, que insinuações embaladas como sátira política também encontram limites quando tentam transformar suspeitas sem provas em instrumento eleitoral.