A Polícia Civil do DF deflagrou nesta terça-feira (26) a Operação Ghost Operator contra uma organização criminosa suspeita de acessar indevidamente sistemas do Detran-DF. A investigação é conduzida pela 17ª DP e contou com apoio das Polícias Civis do Piauí e do Rio Grande do Sul.
O caso começou há cerca de um ano, quando uma pessoa procurou o Detran após ter o veículo transferido de seu nome de forma fraudulenta. A apuração interna do órgão identificou mais de 600 transações irregulares feitas com a matrícula de uma servidora, inclusive fora do horário de trabalho.
A servidora registrou ocorrência, e a Polícia Civil iniciou apuração conjunta com o Detran. Segundo a investigação, o esquema envolvia acessos externos irregulares para cadastrar processos de transferência de veículos sem documentação ou com documentos adulterados.
Após o cadastro irregular, os processos eram aprovados de forma fraudulenta no sistema. A primeira fase da operação ocorreu em janeiro, e a análise do material apreendido permitiu detalhar o funcionamento do grupo, que seria liderado por um servidor do Detran-DF.
A PCDF afirma que despachantes ajudavam a captar pessoas interessadas nos serviços, cobrados por cerca de R$ 2 mil por transação indevida. Os pagamentos teriam sido direcionados à conta corrente da esposa do servidor, enquanto terceiros auxiliavam na execução das operações.
O grupo teria usado inicialmente a senha da servidora que comunicou o caso. Depois que ela perdeu o acesso, os investigados teriam criado usuários fantasmas sem vínculo com o Detran, mas com permissão para lançar dados indevidos no sistema.
A investigação também identificou retirada de restrições e multas, além de movimentação de aproximadamente R$ 1 milhão. A operação cumpre cinco mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão em Brasília, Valparaíso, Teresina e Santiago, além de medida de sequestro de valores.
Os investigados foram denunciados por organização criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva, inserção de dados falsos em sistema de informática, lavagem de capitais e falsidade ideológica. A apuração segue com os materiais recolhidos nas fases da operação.



