Doação de sangue no DF ganha destaque em homenagem na CLDF

Sessão solene reuniu representantes da saúde, instituições parceiras e doadores para reforçar a importância dos estoques de sangue

A doação de sangue no DF foi tema de uma sessão solene realizada nesta terça-feira (16), na Câmara Legislativa do Distrito Federal. A homenagem marcou o Dia Mundial do Doador de Sangue, celebrado em 14 de junho, e reuniu representantes da saúde pública e privada, instituições parceiras, profissionais da hemoterapia e doadores.

Durante o evento, os participantes destacaram a importância da doação para o atendimento de pacientes que dependem diariamente de transfusões, cirurgias, tratamentos oncológicos, emergências e outros procedimentos de alta complexidade.

A presidente do IgesDF, Eliane Abreu, defendeu a ampliação do debate sobre o tema e valorizou o papel dos doadores. Segundo ela, a doação nasce da empatia e da solidariedade.

“Doar é um gesto de amor. Seja qual for a forma de doação, ela nasce da empatia e da compaixão. Precisamos falar cada vez mais sobre essa temática e reconhecer todos que dedicam sua força de trabalho e sua solidariedade para salvar vidas”, afirmou.

Hospitais dependem da rede de doadores

Eliane Abreu também destacou a parceria entre o IgesDF e a Fundação Hemocentro de Brasília. A cooperação garante o atendimento aos pacientes do Hospital de Base, do Hospital Regional de Santa Maria e do Hospital Cidade do Sol.

De acordo com a presidente do instituto, essas unidades atendem diariamente pessoas que precisam da generosidade dos doadores. Além disso, ela reforçou o reconhecimento aos profissionais que atuam na assistência e no ciclo do sangue.

A sessão também chamou atenção para um desafio nacional. Apenas 1,6% da população brasileira doa sangue regularmente, enquanto a Organização Mundial da Saúde recomenda que esse índice alcance pelo menos 3%.

Na prática, o dado mostra a necessidade de ampliar a conscientização e transformar a doação em um hábito regular. Ainda assim, os participantes ressaltaram que o procedimento é rápido, seguro e pode ajudar pacientes em situação crítica.

Hemocentro reforça importância dos estoques

Ao longo da solenidade, os representantes da área de saúde lembraram que ainda não existe tecnologia capaz de substituir o sangue humano. Por isso, a mobilização da sociedade segue como fator essencial para manter os estoques em níveis seguros.

O presidente da Fundação Hemocentro de Brasília, Osnei Okumoto, afirmou que cada bolsa coletada representa uma nova chance de tratamento e recuperação para quem depende desse recurso.

“Cada bolsa coletada representa uma oportunidade de tratamento, recuperação e recomeço para milhares de pacientes que dependem diariamente desse recurso essencial”, disse.

Segundo ele, o trabalho dos serviços de coleta e transfusão precisa caminhar junto com a participação da população. Dessa forma, o sistema consegue garantir atendimento a pacientes que necessitam de sangue em diferentes situações.

Dia Mundial do Doador de Sangue tem origem científica

Representando o Ministério da Saúde, a coordenadora-geral de Sangue e Hemoderivados, Luciana Maria de Barros, explicou que o Dia Mundial do Doador de Sangue foi criado pela Organização Mundial da Saúde em homenagem ao nascimento de Karl Landsteiner, responsável pela descoberta dos grupos sanguíneos.

Para Luciana, a data vai além da celebração. “É um convite ao exercício da cidadania, da responsabilidade social e do altruísmo”, destacou.

Ela também lembrou que, até os anos 1970, a doação remunerada era comum no Brasil, o que trazia riscos para doadores e receptores. Depois disso, a criação da rede pública de hemocentros, a partir da década de 1980, e a proibição da comercialização de sangue pela Constituição de 1988 consolidaram um modelo baseado no voluntariado, na gratuidade e no anonimato.

Além disso, Luciana ressaltou que 2026 marca os 25 anos da Política Nacional do Sangue e do Sistema Nacional de Sangue, estrutura responsável pela coordenação da hemoterapia no país.

A médica hematologista da Secretaria de Saúde do DF, Nina de Oliveira, também reforçou o impacto da doação na vida dos pacientes. Segundo ela, quem acompanha a rotina dos tratamentos sabe que cada bolsa de sangue pode fazer diferença concreta na recuperação.

“Quem está do outro lado pode afirmar que esse paciente é eternamente grato por esse ato. Isso faz diferença na vida dele e realmente salva vidas”, afirmou.

Por fim, a Câmara Legislativa entregou moções de louvor a pessoas e profissionais que contribuem para a promoção da doação de sangue e para o fortalecimento da hemoterapia no Distrito Federal. Entre os homenageados estiveram doadores, a presidente do IgesDF e colaboradores da área de hematologia do Hospital de Base que atuam no cuidado aos pacientes que dependem do ciclo do sangue.