A Justiça impediu a demolição de 2.071 imóveis do Condomínio RK, em Sobradinho, e ampliou a pressão sobre Júlio César de Azevedo Reis, presidente da Terracap. A decisão evitou a derrubada em massa, mas expôs a demora na busca por uma solução para um conflito iniciado há mais de duas décadas.
Júlio César ocupou cargos estratégicos na Terracap por anos, presidiu a empresa entre 2016 e 2018 e retornou ao comando em maio de 2026. Mesmo após tanto tempo dentro da estatal, o impasse permaneceu sem resposta definitiva e chegou ao ponto de ameaçar milhares de imóveis.
A 3ª Turma Cível do TJDFT considerou a demolição integral desproporcional. Os desembargadores avaliaram que a medida poderia agravar os danos ambientais, gerar resíduos, deixar o solo exposto e provocar graves consequências sociais.
No lugar das derrubadas, o tribunal determinou a elaboração, em até 180 dias, de um plano integrado de recuperação ambiental e adequação urbanística. A Terracap e os demais envolvidos deverão definir responsabilidades, metas e formas de acompanhamento.
A decisão não regulariza automaticamente o condomínio. Novas construções sem licença continuam proibidas, e permanecem as exigências de recuperação ambiental, relatórios periódicos e auditorias independentes.
O julgamento, porém, deixou Júlio César diante de uma cobrança difícil de evitar. Após anos ocupando postos de comando, o presidente não pode atribuir o problema ao desconhecimento da estrutura da Terracap.
A Justiça protegeu 2.071 imóveis da demolição. Agora, caberá a Júlio César mostrar se sua permanência prolongada em cargos estratégicos produzirá uma solução concreta ou se os moradores continuarão submetidos à insegurança jurídica.
