Celina mostra força política e afasta risco de liquidação do BRB

Após assumir o GDF em meio à crise do banco, governadora articula acordo no STF e abre caminho para afastar qualquer risco de liquidação ou intervenção

Celina Leão assumiu o comando do GDF em 30 de março e precisou enfrentar, logo no início da gestão, a crise financeira do BRB. Na última terça-ferira (26), 58 dias depois da posse, a governadora saiu de uma audiência de conciliação no Supremo Tribunal Federal com um acordo encaminhado para garantir uma solução ao banco.

A reunião foi conduzida pelo ministro Luiz Fux e contou com representantes do GDF e do governo federal. Com o entendimento construído no STF, o BRB deixa de correr risco de liquidação ou intervenção, ponto considerado essencial para preservar a confiança na instituição e proteger a estrutura financeira do DF.

O caso também reforça a capacidade de Celina de agir sob pressão. A governadora recebeu o problema já instalado e, em menos de dois meses, conseguiu colocar o GDF na mesa de negociação com o governo federal, o FGC e bancos públicos e privados.

“O BRB é um banco que sustenta toda a estrutura do GDF. São mais de 10 milhões de correntistas. Quero agradecer ao governo federal pela capacidade de diálogo. O povo do Distrito Federal agradece esse acordo que começa a ser firmado na data de hoje”, afirmou Celina.

Segundo a governadora, o banco já vinha adotando medidas para melhorar a liquidez financeira, como a venda de ativos e operações de securitização da dívida. Celina informou que os ativos vendidos somam R$ 4 bilhões, enquanto a securitização chega a R$ 8 bilhões.

“Os ativos que nós vendemos somam R$ 4 bilhões e a securitização da dívida chega ao total de R$ 8 bilhões. Agora, resolvemos uma parte muito importante com o apoio do governo federal”, disse.

O acordo prevê uma operação de crédito a ser tomada pelo GDF com o Fundo Garantidor de Créditos. A proposta envolve ainda a participação de bancos públicos e privados, além de contragarantias prestadas pelo Governo do Distrito Federal.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, explicou que a operação será construída com aval de um sindicato de bancos. Ele também afirmou que eventuais recursos recuperados nas investigações sobre a origem da crise deverão ser usados para recompor os cofres públicos e o próprio BRB.

“Vai ser trabalhada uma operação de crédito a ser tomada pelo GDF com o FGC, com aval de um sindicato de bancos, envolvendo bancos públicos e privados, com contragarantias a serem prestadas pelo GDF”, declarou Durigan.

A audiência ocorreu depois de o GDF acionar o STF para pedir que o Tesouro Nacional garantisse uma operação de crédito estimada em cerca de R$ 9 bilhões, negociada com o FGC e bancos privados. O Ministério da Fazenda e a Advocacia-Geral da União manifestaram interesse na conciliação.

O advogado-geral da União substituto, Flávio Roman, disse que a reunião foi acatada pelo ministro Luiz Fux e realizada com êxito. Segundo ele, o governo federal assumiu compromisso com os termos do acordo que começou a ser desenhado.

Em pouco menos de dois meses, Celina transformou uma crise de alto risco em uma negociação encaminhada no STF. O acordo não apaga os problemas que levaram o BRB a essa situação, mas mostra que a governadora conseguiu reagir rápido, preservar o banco e dar ao DF uma resposta no momento em que a instituição mais precisava de estabilidade.